anteontem procurei os gatos pela casa. Não havia mais nenhum. Pensei de pronto: gatos são assim. Vadios, eles saem pela vizinhança convictos que passeiam pelo palácio de um emir da Pérsia, de um faraó quando vão apenas até a esquina ou sobem num telhado de algum casebre pra transar e acordar os vi,inhos. Roçam-com estranhos, namoram, se eriçam, mostram as garras, os dentes pra estranhos. Os gatos são criaturas bem humanas. Muito diferentes dos cães são os gatos. Às vezes observo da janela um deles tentando atravessar a avenida movimentada próximo. Ao contrário dos cães, são quase sempre esmagados pelas rodas dos caminhões que passam em direção ao norte e ao sul. Impiedosos. Gatos seriam suicidas?
Observam pouco o trânsito. Calculam mal as distâncias, os intervalos. Se deixam levar pelo ímpeto e acabam mesclados ao asfalto numa manta de carne, pelo e sangue.
Vasculhei a casa ontem, todos os cantos inabitados. Nenhum atrás do sofá ou sobre o telhado. Aliás faz algumas noites não ouço nenhum miado. Nenhum ronronar. Onde será que foram aqueles diabos?
Na verdade senti um alívio. Eles não eram meus. Já estava aqui quando cheguei e não tive como expulsá-los. Sempre se comportaram co.o se o intruso fosse eu.
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