Este pretende ser um espaço de divulgação de coisas que venho produzindo ao longo dos anos. Sem pressa. Afinal, "de preguiça em preguiça, também se enche boa linguiça".


sábado, 22 de novembro de 2025

Quem peca é o pecado

O pecado é todo seu
Não vem querer me colocar peso n consciência 
Com essa insistência 
Não sou cristão pra achar que pequei
A gente erra humanamente 
Como você errou eu também errei

Mas se o combinado não sai caro, trato feito não volta atrás 
Tudo bem você não querer mais tem quem queira

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

baratas


O sol no Arpoador

Os moços e outros sentam-se para contemplar o sol se pôr nas pedras confortáveis do Arpoador.
Aqueles mesmos moços e outros e passaram a tarde, o dia, reverenciados pelo sol que só existe na Arpoador.
O bronze dali sensualiza sobre as peles descansadas e claras dessa gente que saiu das novelas e dos reclames  de tevê
para se apresentar aos mortais. Essa gente sempre moça, mesmo que nem tanto, não precisa mostrar seu valor.
A pele tratada a cremes importados, os cabelos escorridos de bom xampu são heranças dos avós,  bisavós, dos avós de seus bisavós.
Por isso sentam-se elegamentemente depois de um dia ensolarado para aplaudir a tarde laranja e as
estrelas em seguida, mesmo sob os caos de nuvens. 
Bebem seu bom vinho, aplaudem com seu mais midiatico sorriso e cantam em paz.
Porque os moços ,e os nem tão moços do Arpoador, sabem que amanhã haverá outro sol, outra tarde, outras estrelas
 depois de uma noite de sonho.

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

à sombra dos peixes

anteontem procurei os gatos pela casa. Não havia mais nenhum. Pensei de pronto: gatos são assim. Vadios, eles saem pela   vizinhança convictos que passeiam pelo palácio de um emir da Pérsia, de um faraó quando vão apenas até a esquina ou sobem num telhado de algum casebre pra transar e acordar os vi,inhos. Roçam-com estranhos, namoram, se eriçam, mostram as garras, os dentes pra estranhos. Os gatos são criaturas bem humanas. Muito diferentes dos cães são os gatos. Às vezes observo da janela um deles tentando atravessar a avenida movimentada próximo. Ao contrário dos cães, são quase sempre esmagados pelas rodas dos caminhões que passam em direção ao norte e ao sul. Impiedosos. Gatos seriam suicidas? 
Observam pouco o trânsito. Calculam mal as distâncias, os intervalos. Se deixam levar pelo ímpeto e acabam mesclados ao asfalto numa manta de carne, pelo e sangue. 
Vasculhei a casa ontem, todos os cantos   inabitados. Nenhum atrás do sofá ou sobre o telhado. Aliás faz algumas noites não ouço nenhum miado. Nenhum ronronar. Onde será que foram aqueles diabos?
Na verdade senti um alívio.  Eles não eram meus. Já estava aqui quando cheguei e não tive como expulsá-los. Sempre se comportaram co.o se o intruso fosse eu.

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Gide&Valéry

Entre vinhos baratos absinto e  fumo Gide dispara sobre Valéry 

- A mim, se me impedissem de escrever, eu me mataria.
- A mim, responde Valéry, se me forçassem a escrever, eu mesmo o faria.

quinta-feira, 16 de outubro de 2025

À procura do amor

Gastei os sapatos e a juventude que tinha procurando o amor
Eis que depois de mal gasta poesia
Dou com ele na rua que não me reconhece
Atravessa uma avenida confusa
Até escoar pelo buraco do metrô

Meus tênis meu poema
Tudo gasto na manhã atordoada
Que é a aventura de amar.

Mais que atravessar fora de faixasa, me aventurar descalço no asfalto quente em 
em noites de solidão e sangue .

O amor de hoje é morto.
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