é sempre intenção frustrada
uma ontologia de reminiscências,
inventário
réquiem
por isso uma carta será sempre patética
a doença do filho
uma saudade
o silêncio escondido na confissão de uma alegria,
um amor
toda escrita é uma carta
misto de árvores sepultadas e afetos ainda vivos
uma carta antes mesmo de ser escrita
já é uma idosa prostrada numa janela
cuja paisagem é
uma velha flor resgatada de dentro de um velho livro desidratado
caberá ao leitor reidratá-la (decifra-me ou te devoro, intima a esfinge esculpida em preto no papel fluido)
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