Este pretende ser um espaço de divulgação de coisas que venho produzindo ao longo dos anos. Sem pressa. Afinal, "de preguiça em preguiça, também se enche boa linguiça".


quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Desrio



(Não cabe nesta série)

Hoje a solidão não passa,
As horas não correm
Minutos de pedra pome
se mumificaram no relógio sem futuro 

A solidão emula o silêncio de um rio sem alma, rio de papel e tinta .

Rio sem a memória de seus peixes
Sem o lodo ladino sobre as pedras. Das armadilhas entre as pedras.

Hoje me sinto afogando estabilidade movediça de um rio extinto.

Ou de um rio sequestrado. Onde tudo é vala, poço, queda, nada é curso, profundidade, corredeira

Hoje o dia não passa, rio em profundo silêncio paradoxal.

Essa solidão é um rio desaguado.


1. Algumas palavras gosto é da palavra coisa fútil daquelas palavras excitantemente mentirosas que as moças dizem pra gente se enganar pelo preço justo e o tempo contado na vila mimosa Aquelas moças que eu muito jovem achava tão belas por trás de seus batons escandalosos, de seus gestos perfumados Elas que dominavam de palavra vestidas ora de nuvem ora de tempestades Adoro esse tipinho à toa de palavra cheirando a corpo, perfume barato e amor sem etimologia

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Das coisas (dês) importantes

1. Algumas palavras 

gosto é da palavra coisa fútil 

daquelas palavras excitantemente mentirosas que as moças dizem pra gente se enganar pelo preço justo e o tempo contado na vila mimosa

Aquelas moças que eu muito jovem achava tão belas por trás de seus batons escandalosos, de seus gestos perfumados

Elas que dominavam de palavra vestidas ora de nuvem ora de tempestades 

Adoro esse tipinho à toa de palavra 

cheirando a corpo, perfume barato e amor sem etimologia

2. Leio numa notícia de tempos atrás o aumento de corações precocemente falidos.
Demos tantas incumbências ao coração que cada vez menos deles resistem

O coração, puro músculo precisa não pensar, princípio nobre da filosofia
pra quem o coração é apenas músculo desnecessário porque não formula.

Entretanto inventamos seja o primeiro que perdoa, dizem os padres, e o que por fim, desfere doze facadas na companheira 
 apaixonadamente violentas 
diante dos filhos pequenos a quem igualmente ama

Só ao coração cabe namorar, noivar (?), casar. Procriar em nome da única espécie 
Que é capaz de se matar apenas porque alguém pisou no pé de alguém pisou que acabou com um baile em Belford Roxo quem alvejou com dois projéteis um músico.
Odiar também é cruel....

falar sobre o silêncio ( in Universos&Diversos)

 falar sobre o silêncio 

A. Me diz: sobre o silêncio o que se fala
quando  é ele mesmo o primeiro que cala?

B. O olhar das coisas sobre nós. Como será que elas nos olham? Como eu olho essa mesa posta de lembranças duma infância supostamente quase feliz?
As coisas nos vêem como esses seres móveis de carne, nervos, inseguranças?

Ou as coisas nos espiam com a indiferença de criaturas incumbidas de provar a todo tempo sua humanidade?

Ou simplesmente mal nos enxergam na nosso devida insignificância?