A MUSA DA CANÇÃO
Que menina é essa que toca?
Será que seus males espanta
Ou somente os encanta
Quem é essa menina
Que em notas felinas o amor declina?
Quem é essa menina?
Quem é essa menina?
Sereia será sua sina?
Saberá o horizonte onde tudo começa,
Ou irá me mostrar onde a fonte termina?
Só sei que te quero
Se ela me chama
Mesmo se ela me trai
Sílfide ou santa
Essa menina que é tantas
Alegre ou precisa será minha musa!(repete?)
Quem é essa moça quem canta?
Será que os pares acalanta
Ou será que os conclama
A sair do estado de ilha?
Será minha mãe? Será minha filha?
Quem é essa moça?
Quem é essa moça?
Sereia será sua sina?
Me mostre a fonte onde o horizonte começa,
Ou ainda haverá depois que o mundo tropeça?
Só sei que a quero
Se você me chama
Mesmo se você me trai
Sílfide ou santa
Essa menina que é tantas
Tristonha ou difusa
será minha musa!
Este pretende ser um espaço de divulgação de coisas que venho produzindo ao longo dos anos. Sem pressa. Afinal, "de preguiça em preguiça, também se enche boa linguiça".
terça-feira, 15 de setembro de 2026
Nem deus
segunda-feira, 14 de setembro de 2026
Não, companheira
II
não, companheira
não permita que a dor doutrinar a esperança
viver sim vale a pena
sim, vale a pena o mais cotidiano gesto: o café na manhã solitária, a saudade
Ainda vale ler jornal impresso
a impressão mais incerta do amor
mesmo sabendo que todo amor tem seu prazo de veleidades
vale a pena o mais grotesco engano
sim,
valem a pena
seu riso
seu gozo
seu guizo
a gargalhada num deserto o orgasmo em pecado por de trás dum muro
porque a vida inexplicavelmente ainda vale a pena
seu filho, seu sono
esse despretensioso poema.
sábado, 8 de agosto de 2026
Natal-23
sexta-feira, 7 de agosto de 2026
quinta-feira, 6 de agosto de 2026
Desrio
Das coisas (dês) importantes
falar sobre o silêncio ( in Universos&Diversos)
falar sobre o silêncio
quarta-feira, 27 de maio de 2026
terça-feira, 24 de fevereiro de 2026
Em tempo
sábado, 22 de novembro de 2025
Quem peca é o pecado
segunda-feira, 17 de novembro de 2025
O sol no Arpoador
segunda-feira, 10 de novembro de 2025
à sombra dos peixes
sexta-feira, 17 de outubro de 2025
Gide&Valéry
quinta-feira, 16 de outubro de 2025
À procura do amor
domingo, 10 de novembro de 2024
tempo em tempos
1
Tempo tempo tempo
O que fazer com essa relatividade?
O tempo que pode pesar mais que a pedra sobre os ombros de Sísifo,
Que um grito num calabouço,
que uma saudade bruta.
O que fazer com o tempo?
pergunto quase impassivel às rugas que chegam sem convite,
diante de imagens pouco nítidas dos pequenos quadros desarmonicamente enfileirados na parede de tantos anos
Tempo tempo tempo, roga o poeta mesmo sabendo que não existe acordo possível.
O tempo é inexorável.
Que faço eu desse tempo?
Desse breve tempo que me resta!
2.
Eu mal nascido nos trópicos onde os dias são tão caros. Que tempo ainda me cabe?
O fim marcado pela bala? pela fome? Ou o tempo bovino marcado pela eterna esperança? O tempo da esperança canonizada.
Tempo tempo tempo
O que faço eu nesse tempo?
Esse tempo de me embriagar de uma alegria coloridadamente tóxica
do anúncio onde alguma moça de beleza estrangeira de algum lugar estrangeiro de sorriso estrangeiro de uma felicidade tão estrangeira para mim quanto elas mesmas
(a moça e a felicidade)
tempo estranho de bala e sexo amasiados na mesma cama
3
Tempo tempo tempo
O que faço eu com esse tempo agora?Esse tempo despido do tempo diante de ti, companheira. nesse momento em que não cabe um só movimento, que mal comporta o beijo de tão intenso?
Só eu e seu corpo, só seu corpo e minha desalma
O tempo que zomba do relógio
Que manda o patrão e sua mais-valia pro caralho, o tempo descapitalizado nesse segundo-momento o que podemos enfim nós, senão gozar de todo tempo que inexiste agora?!
III
no meu tempo era diferente
sentencia a boca envelhecida na fila do banco no meu tempo não era assim nem assado,contraprofetisa a boca enlutada debaixo de um véu que mal esconde o hálito fúnebre
pois meu tempo não permite saudosismos,
Olho pra trás e prossigo, curupira faminto de caça e fumo, prossigo
IV
as horas são cuidadosamente construídas numa engenhoca maldita.Feitas e refeitas e cada vez vão ficando sutilmente mais longas e pesadas, mais apertadas. Sufocantes.
Que fábricante maldito inventou as horas?
Acabaram-se as horas do beijo durante o sexo
eles hoje vêm prontos e sem esforço pra sua satisfação
O tempo do encontro marcado ao nascer do sol,
ou depois da chuva numa tarde maranhense,
o tempo de imponderabilidades sorridentes
como reencontrar um amigo na multidão inquieta de minha cidade ou de se ver amigo dos passarinhos numa praça escondida das aulas de matemática
O tempo de mergulhar no vazio momentâneo duma sombra de amendoeira fresca da infância à beira da Guanabara
e ter como companhia um breve e profundo sorriso em silêncio,
aquele tempo de não dizer nada, de não fazer nada, de quase não respirar: tempo abundante do nadar,
hoje condenado à vergonha
Mas o tempo secou. Secou e nos sufoca. Secou mas incomoda como a saudade inútil.
Secou e sopesa como o espírito de um pássaro extinto há muitas eras
V
Mal vejo a hora de te rever
eu que de tão sozinho e saudoso
brinco de inventar palavras que sirvam de alinhavar esse vão do peito-canyon
palavras gagas de sentido e música:
(como são de praxe as palavras sozinhas)
eu, sozinhidão, eu sadadetude.
Eu que tento em vão algum sentido de poesia capaz de me dessozinhizar